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Notebook na sala de aula é esperança para setor de PCs

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SÃO PAULO (Reuters) - A disseminação do uso de notebooks nas salas de aula de escolas públicas e privadas está garantindo o otimismo dos fabricantes de PCs, mesmo em um ano em que os institutos de pesquisa já admitem que o crescimento das vendas será menor que em 2008.



A licitação do Ministério da Educação pelos primeiros 150 mil notebooks educacionais é só a ponta do iceberg de um segmento que anima os fabricantes. De tela menor que um notebook tradicional e com alguns softwares educacionais instalados, os equipamentos --também conhecidos por netbooks-- são vistos por entusiastas como o substituto do material didático.



A Positivo Informática, por exemplo, empresa que mais vende PCs no varejo brasileiro, já fornece notebooks educacionais para 39 escolas particulares, duas instituições de ensino superior (particulares) e três municípios (Indaiatuba, Jundiaí e Manaus) do país.



A brasileira Comsat Tecnologia, vencedora do pregão do governo federal com preço de 550 reais por equipamento, ainda não assinou o contrato, mas já deu início à produção local porque negocia a entrega de outros lotes do equipamento para prefeituras, escolas particulares e universidades.



"Iniciamos a produção independente do pregão porque estamos envolvidos em vários outros projetos", afirmou Jakson Alexandre Sosa, presidente da Comsat, em entrevista à Reuters.



A empresa licenciou o modelo portátil Mobilis da indiana Encore e passou a produzir o equipamento em porto Alegre (RS) onde, além de ter uma unidade própria dentro do parque de tecnologia da PUC-RS, contrata produção terceirizada da Teicon.



Segundo Sosa, os planos da Comsat prevêem uma produção mensal de 35 mil equipamentos, mas ele afirma que as duas unidades fabris têm capacidade para mais de 200 mil equipamentos, se for preciso.



"O notebook educacional pode garantir uma janela importante no mercado de PCs", afirma o executivo. Segundo ele, os portáteis de telas entre 7 e 9 polegadas têm vantagens como menor custo, baixo consumo de energia, facilidade de uso e conectividade que podem pesar na escolha do consumidor.



Além disso, se usados na sala de aula, "o índice de repetência cai violentamente, o aluno se integra digitalmente e traz a família para o ambiente", afirma.



MOMENTO DE TRANSIÇÃO



Marcel Campos, gerente de marketing da taiuanesa Asus no Brasil, acredita que o Brasil vive um momento de transição no que se refere ao modelo educacional, seja entre os alunos, mas principalmente entre os professores.



A companhia se notabilizou por lançar no varejo de Taiwan em 2007 o modelo EeePC, cujas três letras "E" referem-se a "easy to work, easy to study, easy to play" (em português fácil para trabalhar, fácil para estudar e para brincar, respectivamente).



Segundo Campos, "a tecnologia está invadindo (a sala de aula) não só pelo custo, como pelas facilidades".



A empresa, que desembarcou no Brasil recentemente e passou a fabricar dois de seus modelos de netbooks no país em janeiro, afirma estar em negociações com "um dos grandes grupos educacionais do país" para levar seus modelos portáteis às escolas. Este é seu primeiro contrato na área educacional no Brasil.



O modelo envolve subsídio por parte da escola privada. Por isso, ela paga parte do custo e o aluno a outra parte. De acordo com o executivo, a Asus também negocia com outras redes de escolas para adotar um modelo em que o equipamento seja propriedade da instituição e o aluno possa usar durante o curso, mas não terá a posse do equipamento. "Será um uso consignado", explicou.



CUSTO AINDA É BARREIRA



Para o vice-presidente de tecnologia educacional da Positivo, André Caldeira, o conceito de um computador por aluno "ainda esbarra na barreira do custo" em diversas regiões do país.



Mesmo assim, a companhia tem conseguido contratos com escolas onde grupos de alunos compartilham um mesmo notebook e muitas vezes saem com ele para desenvolver pesquisas.



"Os professores também têm mostrado bastante interesse", afirmou o executivo à Reuters. Segundo ele, enquanto as crianças têm muita facilidade no uso dos microcomputadores, os professores nem tanto.



"As crianças são nativos digitais, mas os professores são imigrantes digitais", comparou. Por isso, a fabricante desenvolveu programas com condições especiais de prazo e preço para facilitar a aquisição dos equipamentos pela classe docente.



A fabricante chinesa de computadores Lenovo, que se prepara para estrear no varejo brasileiro em maio, também aposta nos netbooks e lançou na semana passada a chegada dos primeiros modelos ao Brasil.



Segundo Luciano Beraldo, gerente de portáteis da companhia no país, os modelos são indicados tanto para uso em empresas como em escolas.



"A Lenovo não entrou nesse segmento (de notebook educacional) logo na primeira onda, mas há pesquisas que mostram o grande potencial desse mercado", afirmou Beraldo.



Ele citou dados da consultoria IDC que estimam que a venda de netbooks cresça de 430 mil unidades em 2007 para 9,2 milhões em 2012 no mundo, dos quais a maior parte deve ser para uso no setor de educação, disse ele.



Segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) o mercado de computadores pessoais no Brasil em 2009 não deve crescer, apresentando as mesmas vendas de 12 milhões de máquinas de 2008. Porém, isoladamente, as vendas de notebooks devem disparar 40 por cento, para 6 milhões de unidades, enquanto as de computadores de mesa devem recuar 22 por cento, também para 6 milhões de unidades.


fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1064668-6174,00.html

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